Por vezes, estar em casa torna-se demasiado confortável. Esta foi a principal razão pela qual João C. Silva, fundador da agência “Digital Connection”, decidiu fazer as malas e mudar-se para o Dubai. Numa conversa muito interessante com o Jornal de Negócios, explicou que Portugal se tinha tornado uma “zona de conforto” e que, para realmente crescer – tanto a nível pessoal como profissional –, precisava de um choque de realidade.
E ele encontrou-a.
João descreve como foi navegar num mercado com quase 200 nacionalidades diferentes. Não se tratava apenas de estratégia empresarial; tratava-se de aprender como a confiança, as cores e até as palavras básicas mudam de significado dependendo de com quem se está a falar. Mas eis a parte interessante: ele descobriu que ser português é, na verdade, uma grande vantagem no Médio Oriente. Somos vistos como parceiros empáticos, sofisticados e de alta qualidade. Parece que a nossa reputação no estrangeiro é melhor do que costumamos dar crédito a nós próprios.
A entrevista torna-se realmente sincera quando ele compara os ambientes empresariais. Admira a clareza do Dubai — têm uma visão e executam-na. Se quiser abrir uma empresa lá, demora dias, não meses. Tudo é digital. Em contraste, salienta que Portugal ainda se debate com uma mentalidade de “isto é muito difícil”. O seu conselho para os empresários portugueses? Deixem de ter medo de sonhar em grande. Defende que temos o talento e a qualidade, mas ficamos atolados na burocracia e no medo do risco.
Vê muitas portas abertas para as empresas portuguesas no Dubai, especificamente nas áreas da tecnologia, educação e bem-estar de luxo. Por outro lado, acredita que os investidores do Médio Oriente adorariam investir no turismo português e na agricultura premium — se ao menos tornássemos o processo menos doloroso e mais ágil.
A melhor conclusão? Ele planeia voltar. Vê o seu tempo fora como uma oportunidade para adquirir experiência e eventualmente trazê-lo para casa. É uma visão refrescante de como deixar o seu país pode, na verdade, ser a melhor forma de o servir a longo prazo.
É uma leitura sólida para qualquer pessoa que esteja a pensar em negócios internacionais ou que simplesmente precise de um incentivo para começar. Confira aqui a entrevista completa: Entrevista Completa




